FIGURATIVISMO
Vários caminhos, esplêndida xerografia sobre papel, nos permite perceber que a exploração da pura visualidade se torna agora ilimitada. Ilimitada, mas não inesgotável. Com efeito, a aventura pictórica de Niobe Xandó parece chegar ao fim nos anos (19)90 com o retorno, agora sim nostálgico e sentimental, ao figurativismo. A audácia se apaga, a composição se torna convencional, a argúcia e a fascinante intensidade do olhar se perderam. E, no entanto, persiste como uma nota perturbadora reverberando no ar o auto-retrato pintado em 1995. Porque nele vemos uma mulher sem rosto…
A intenção é a do retrato de uma mulher, porém o que a tela mostra é um rosto desprovido de todos os traços de identidade, um não-semblante à margem do tempo subtraído das faculdades do ver e do falar. Por outro lado, a imagem muda comunica, sem meias-palavras, um fato crucial na existência de sua autora: a partir de então a persona de Niobe Xandó, ou “máscara da personalidade social”, na definição jungiana, cessará de existir.
Datado de 1995, o auto-retrato presentifica um terrível drama pessoal, quatro anos após o diagnóstico do mal neurológico que acomete a artista. Porém, se considerarmos seu comportamento perante marchands, colecionadores e críticos desde a primeira apresentação pública de suas pinturas, em 1946, pois então ela já preferia o recolhimento do estúdio à freqüência de rodas e salões, é possível interpretar a mensagem desse retrato de maneira bem diversa, sob o prisma da afirmação de objetivos pessoais em lugar de manifestação de ausência ou pura negatividade.